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Mudar para mudar

Muitas pessoas não mudam seus hábitos de consumo, primeiro, por acharem que será trabalhoso e caro, segundo, por pensarem que isso não fará a diferença no todo. Desde o ano passado, quando comecei a pesquisar sobre consumo para a minha pesquisa de conclusão de curso, percebi como nossas escolhas têm o poder de influenciar no que se está sendo produzido.

Esses dias vi um pão da marca Pullman, chamado Artesano e que tinha como slogan a frase “Como feito em casa.”, daí pensei: “Opa, tá aí a prova! Tá acontecendo!”. Porque vamos pensar: Será que a indústria deseja que a gente consuma produtos artesanais ou com características artesanais? Ou será que ela está percebendo que estamos deixando de comprar o pão industrializado para comprarmos da vizinha que fabrica em casa, ou ainda experimentar receitas caseiras e fazer os nossos próprios pães? Eu acredito que seja a segunda opção.

Se pensarmos que há mais gente consumindo do que produzindo, quanto mais pessoas optarem por consumir com responsabilidade, exigindo maior transparência por parte das empresas. além de fortalecer aquelas que já atuam dessa forma, para atender este novo consumidor, a indústria deverá se modificar.

Minhas primeiras reflexões sobre isso partiram da minha área de estudo, o vestuário, mas quando a gente começa a pesquisar, muitas outras coisas vão se desdobrando em nossa frente. E foi aí que, na semana passada, eu encontrei o blog da Cristal, chamado Um ano sem lixo. Ela me fez refletir sobre tantas coisas que eu não havia parado pra pensar, e desde então, estou tentando modificar alguns hábitos. É importante pensar que toda transição é lenta e que é realmente difícil, no país em que vivemos, consumir de forma 100% responsável. Morando em Campo Grande, bairro afastado do centro da cidade do Rio de Janeiro, não é diferente, porém existem sim alternativas que cabem no nosso bolso e que irão contribuir significativamente para essa mudança.

Por isso hoje eu resolvi compartilhar algumas que encontrei por aqui, pensando em ajudar tanto os moradores da região e também inspirar àqueles que estão em situação parecida. As compras foram feitas na La Budega Nordestina, próximo ao calçadão, e que além de vender produtos naturais, também vende à granel (que será minha próxima mudança).

19820924_331174183977659_1805628939_oUm coisa que eu não costumava fazer era levar minha própria sacola, pois pensava que precisaria do saco para jogar meu lixo fora. Na minha realidade isso ainda é necessário, porém, se eu reduzir o meu lixo, irei reduzir também a quantidade de sacolas plásticas. Desta vez resolvi levar a minha.

19807710_331174200644324_841230912_oAs compras foram: Uma bucha vegetal, um pacote de espaguete, óleo de coco, mel e sabonete de banho. Uma compra meio aleatória, mas vou explicar um poquinho sobre cada item.

Item 1: Bucha vegetal

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Eu já havia usado a bucha vegetal pra tomar banho, mas realmente mudei meu olhar sobre ela a partir de um post da Cristal, com dicas para lavar louça sem produzir lixo. Nem todos têm uma composteira doméstica, mas com certeza, ao optar por uma bucha vegetal à plástica, já estamos gerando menos impacto.

Item 2: Espaguete

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Esse espaguete me despertou a curiosidade pelos seus selos, por isso é necessário estarmos atentos ao verso da embalagem e que as empresas disponibilizem essas informações. Ele é vegano, ou seja, não contém nenhum ingrediente animal, é livre de transgênicos, baixo teor de sódio, sem colesterol e gordura trans. É importante ressaltar que o ideal é optarmos por produtos brasileiros, pois além de estarmos valorizando a economia local, o deslocamento gera menor impacto. Como ainda estou engatinhando neste processo, por questões de disponibilidade, acabei comprando este, que não é brasileiro mas atende algumas necessidades que considero importantes. Também não conheço sobre a marca e preciso investigar mais, mas achei importante compartilhar a experiência.

Item 3: Óleo de coco

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Eu comecei a usar óleo de coco pra cozinhar há um tempo, pelas indicações da Bela Gil, agora a Cristal também me ajudou a ampliar seu uso. Esse eu comprei pra fazer minha pasta de dente, receita que está disponível no Um ano sem lixo. Na loja haviam 3 marcas, uma com selo orgânico e duas sem. Escolher um alimento orgânico é se certificar de que nem você, nem a natureza e nem os trabalhadores envolvidos estiveram ou estarão expostos a agrotóxicos e outras substâncias e atividades nocivas. Eu acabei comprando uma sem o selo, por ser mais barata. Realmente mudar e comprar tudo orgânico de uma vez é caro, mas como as próximas compras serão de reposição, será mais fácil. Escolhi essa marca por ser recomendada pela PEA, por não fazer testes em animais, algo que significa muito pra mim.

Item 4: Mel

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O mel eu também já uso pra cozinhar há um tempo, desde que ganhei o livro de receitas da Bela Gil.  Esse é um produto orgânico brasileiro, certificado pela IBD, que é um empresa brasileira que atua na inspeção e certificação de diversos produtos.

Item 5: Sabonete de banho

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Esta escolha também devo à Cristal. Eu já estava optando por usar sabonetes “mais naturais”, feitos de glicerina etc, mas quando comecei a ler a composição desses produtos, vi que haviam muitos ingredientes, a maioria desconhecidos por mim e que pareciam nada naturais. Essa loja não tem muitos produtos de higiene pessoal e dentre as opções, escolhi este acima A composição dele diz que contém glicerina, óleo de amêndoas doce (o outro de andiroba), mel, corante e base de coco. Bom, comparado ao que eu usava, está muito melhor, além disso, a embalagem de papel também é um ponto positivo. Eles custaram 10 reais cada. Sim, bem mais caro que um sabonete convencional, porém, além de serem maiores, pelo que li, sabonetes naturais rendem mais, e vale atentar ao fato de não estarmos absorvendo tantas substâncias desconhecidas. Ainda vou testar e procurar saber mais sobre a empresa.

Reflexões e ações importantes desta experiência:

  1. Levar a própria sacola.
  2. Optar por embalagens que poderão ser reutilizadas (como potinhos de vidro) ou que sejam menos impactantes ao meio ambiente (sabonete embalado no papel ao invés do plástico).
  3. Produtos multifuncionais, neste exemplo: bucha pra banho e louça, óleo de coco pra cozinha e pasta de dente.
  4. Verificar os selos e escolher de acordo com nossas possibilidades, alinhando-as aos nossos valores.

É importante dizer que o intuito desta postagem não está na divulgação destas marcas, já que não as conheço e não tenho propriedade para dizer se atuam ou não com responsabilidade. A ideia aqui é trazer reflexões à respeito dos nossos hábitos de consumo, das formas de produção e uso dos produtos em geral, contribuindo com informações e experiências pessoais, a fim de nos tornarmos consumidores mais investigativos, percebendo a importância de nossas escolhas e como elas podem impactar positivamente ou negativamente em nossas vidas, na vida do outro e do planeta. Como desejo fazer parte deste grupo, entrarei em contato com essas marcas, até mesmo para decidir se irei continuar consumindo-as ou não. Compartilho depois essas informações por aqui.

Um abraço e até o próximo post! 🙂

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