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Pequenas grandes mudanças – Vinagre de maçã caseiro

O mundo acelerado e a busca pela praticidade nos levaram a crer que os industrializados são verdadeiros salvadores das nossas vidas. O que não sabemos é que, infelizmente, grande parte das indústrias não pensam na saúde dos seus consumidores e muito menos no meio ambiente, colocando os lucros na frente e ignorando os impactos gerados pelos processos de produção, uso e descarte.

A atitude que começou nas roupas, lendo etiquetas para saber onde foram produzidas, me fez refletir sobre outras coisas que eu estava consumindo. Então criei o hábito de ler rótulos dos produtos que iria comprar ou que já havia comprado e percebi que eu desconhecia a maioria dos ingredientes ali contidos. É triste saber, mas muitas dessas substâncias estão sendo estudadas e associadas à graves doenças, como o parabeno e o câncer, por exemplo, abordado aqui no blog na postagem que fiz sobre cosméticos. Desde então, apesar de ainda estar no início de uma longa caminhada, tenho buscado consumir produtos mais naturais, e quando possível, fazê-los em casa.

Com o objetivo de disseminar essa alternativa, decidi compartilhar uma receita de vinagre de maçã que vi no blog Um ano sem lixo (Amo!). Além do custo ser praticamente zero, são necessários apenas 3 ingredientes: restos de maçãs, água filtrada e açúcar, e é bem fácil de fazer, já que mesmo sem ter seguido as medidas corretinhas, deu super certo!

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Vamos lá! Primeiro eu enchi com água filtrada (precisa ser filtrada!) um pote de mais ou menos 1 litro e meio, coloquei cascas e miolos de 3 maçãs que eu havia usado, adicionei uma colher de açúcar demerara (você pode usar o que tiver em casa) e dei uma boa mexida. Como o pote precisa ficar aberto, coloquei um paninho com elástico pra proteger de qualquer bichinho, segundo orientação da receita original.

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Foto tirada 1 semana depois – A água vai ficando turva mesmo.

Depois de preparado é só deixar na pia ou algum outro local e mexer o conteúdo pelo menos 1 vez no dia (eu mexia duas vezes – manhã e tarde). Esse processo é essencial para dar certo, pois você vai oxigenar a mistura e evitar possíveis fungos, caso ela fique parada. Ah, eu cheguei a adicionar mais umas 3 maçãs ao longo dos 3 primeiros dias!

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Depois de mexer por mais ou menos uns 15-20 dias, você já vai perceber o cheirinho de vinagre. Aí é só coar com um paninho, espremer bem e colocar em um recipiente que preferir. Esse eu comprei no SEPA por R$6,50 e o que sobrou eu deixei no pote anterior, que está sendo usado como produto de limpeza. =)

Simples, né? A receita original diz que são 2 litros de água filtrada + 6 cascas de maçãs (ou outras frutas) + 1 colher de sopa de açúcar.

Adoraria receber comentários de quem testar essa receita!
Grande beijo e até o próximo post. =)

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Pequenas grandes mudanças · Produtos ecológicos · Queremos saber

Reflexão e dicas sobre cosméticos veganos e naturais – Usando shampoo sólido e sabonete Fefa Pimenta.

Você sabia que a maioria dos shampoos, condicionadores, sabonetes, desodorantes e outros produtos disponíveis no mercado contêm substâncias altamente tóxicas para nós e para o meio ambiente?

Após o caso do resgate dos beagles, usados para testes no laboratório do Instituto Royal, em 2013 (vale a pena ler essa postagem da ativista Luisa Mell), muitas pessoas começaram a falar sobre o assunto e na época recebi uma lista com nomes de empresas que usavam animais para testes (informações no fim do post). Ao tomar ciência do sofrimento vivido por eles diariamente nos laboratórios, decidi parar de consumir aquelas marcas listadas.

Então no ano passado, em meio às leituras para o meu projeto final, voltei a refletir sobre tais questões, mas dessa vez, o assunto me tocou mais profundamente. Comecei a pesquisar sobre produtos veganos e me deparei com várias outras informações sérias e tristes, que dizem respeito a danos sociais e ambientais. Para que o consumidor se torne cada vez mais investigativo e consciente na prática, forçando a indústria à mudar seus modos irresponsáveis de produção, decidi divulgar algumas informações e compartilhar soluções para quem tem o mesmo desejo.

Segundo um trabalho de pós graduação da USP e um artigo científico, o parabeno, por exemplo, mesmo quando usado em pequenas quantidades, está associado ao estímulo do crescimento de células cancerígenas mamárias, e quando liberado nos rios e oceanos, são absorvidos por diversas espécies, podendo afetar o desenvolvimento de peixes, a metamorfose de sapos e até alterações no comportamento e reprodução desses animais. Isso porque estamos falando de apenas UM, dentre tantos outros compostos (sulfato, os liberadores de formol, corantes artificiais etc.) presentes nos nossos produtos de higiene pessoal.

É, parece um buraco sem saída, né? Mas não! Existem pessoas desenvolvendo produtos de maneira responsável, sem ferir o nosso corpo, o do outro e o meio em que vivemos. Uma das marcas que me chamou atenção desde o começo foi a Fefa Pimenta. Vi muita gente indicando, o site é bem explicativo, o preço é justo e por todas essas questões, me pareceu ser uma empresa bem séria. Resolvi testar o tão falado shampoo sólido, mas nas minhas tentativas de compras, sempre estava esgotado. Mas aí, recentemente, a vida me surpreendeu com uma de suas “coincidências” e ganhei de presente da minha querida prima Simone um shampoo e um sabonete da marca.

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No primeiro uso eu me confundi e usei o shampoo como sabonete e o sabonete como shampoo. Como é tudo natural, não houve nenhum problema e eu adorei o resultado. Já fazia uns anos que eu havia parado de usar creme e estava tentando deixar o meu cabelo mais natural, mas ele nunca secava da forma que eu desejava e acabava tendo que dar uma ajeitada com secador ou chapinha. Com o shampoo/sabonete da Fefa, meu cabelo pôde se expressar sem interferências, ficou mais leve e até enrolou. Eu mesma não lembrava de como ele era e gostei do que vi! Pretendo fazer uma postagem com fotos futuramente. 🙂

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O resultado da pele também tem sido excelente. Sou muito branca e cheia de irritações, além de ter partes muito oleosas e outras muito ressecadas, que chagavam até a descascar. Agora lavo o rosto duas vezes ao dia e sinto que ela está na medida, equilibrada! Como nesse frio a pele acaba ressecando um pouco mais, uma vez na semana uso uma manteiga que comprei em uma feirinha em Buenos Aires e que já falei um pouco sobre ela no meu instagram.

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Pelo que tenho lido, para peles e cabelos que estão acostumados com química, o processo de transição vai variar. É preciso querer e enxergar além das referências de propagandas de salão e produtos de beleza. A textura de um cabelo com shampoo natural é diferente de um que acabou de usar produtos químicos para alisar, hidratar etc. Acho que o importante é dar um espaço para perceber como o seu cabelo (ou sua pele) é de fato, buscando e testando soluções que sejam saudáveis para eles, para o nosso corpo e o meio ambiente, já que somos parte de um todo.

Assim como a Fefa Pimenta, existem outras marcas com esses princípios, que se preocupam com a nossa saúde e produzem com baixo impacto ambiental. Eu encontrei vários blogs com listas veganas e naturais, mas antes de consumir, vale a pena analisar direitinho o trabalho da empresa, os processos de produção, os ingredientes etc., já que muita gente está se rotulando vegana ou ecológica apenas para faturar nas vendas. A Marcela, do blog aNaturalíssima, fez uma postagem explicando como identificar se os produtos são veganos, orgânicos, artesanais e naturais, através da verificação de selos e leitura da composição. Vale a pena ver esse post!

Bom, a gente precisou dar uma volta longa pra descobrir que os antigos estavam certos. O que a gente ganha nisso tudo é que a tecnologia, quando usada para o verdadeiro avanço social, nos auxilia no aprimoramento dessas técnicas e na descoberta por soluções que estejam em harmonia com o planeta e que tornem a nossa vida mais saudável, prática e natural.

Infelizmente a lista com o nome das empresas brasileiras que testavam em animais foi tirada do ar. Uma pena! Ainda se encontra disponível a listagem com as marcas internacionais que testam e as brasileiras que não testam.

Forte abraço e até o próximo post.
=)

Pequenas grandes mudanças

Look de brechó

Há quase 2 anos comecei a descobrir alguns dos impactos gerados pelos processos de produção do vestuário, e desde então, resolvi parar de comprar roupas novas. Existem marcas com lindas peças, produzidas com responsabilidade socioambiental, porém, como eu decidi dar uma renovada no guarda-roupa (trocando as peças que eu já tinha por outras mais versáteis e atemporais), os brechós, as trocas e os bazares foram e estão sendo a minha melhor opção.

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Achei que seria bacana mostrar na prática que é possível sim vestir-se de roupas usadas, é mais barato, mais ético, mais responsável e ecológico. Além de aumentar o ciclo de vida desses produtos, você pode optar por brechós e bazares beneficentes, que geralmente usam a renda para alguma causa própria ou para manter instituições de caridade.

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Pra quem mora no Rio, já pode aproveitar a dica. A blusa foi comprada no brechó do Retiro dos Artistas, por 5,00, o short eu comprei em um bazar que organizei, por 15,00 e a sandália foi do brechó do MAP (Movimento de amor ao próximo), por 10,00. O colar e o cinto são peças antigas que eu já tinha. Tudo isso saiu somente por 30,00.

Toneladas de roupas são descartadas anualmente e outras toneladas estão sendo produzidas, não havendo mais espaço para escoar as doações e os descartes. Não precisamos de roupas novas, precisamos mudar a nossa maneira de enxergar o reuso. Vamos repensar essa atitude?

Seguem os endereços dos brechós:
Brechó do Retiro dos artistas 
Rua Retiro dos Artistas, 571 – Jacarepaguá
Telefones: (21) 3382-3730 . (21) 3327-4591

Brechó do MAP – Polo Recreio
Av. Aílton Henrique da Costa, 328 B – Recreio dos Bandeirantes
Telefone: (21) 2490-2073

Um abraço e até o próximo post.
=)

Pequenas grandes mudanças

Pequenas grandes mudanças – Lavando a louça

Quando você desperta para as questões que envolvem o consumo consciente, todas as suas atitudes começam a ser repensadas. Pode parecer desesperador a princípio e até radical, mas depois que você encontra soluções e as coloca em prática, você se sente mais feliz, mais pleno e mais verdadeiro consigo mesmo.

Durante essa trajetória, tenho encontrado páginas, blogs e perfis do instagram que muito me ajudam com informações e dicas práticas. Dentro do meu caminhar, já tenho praticado algumas, então achei importante compartilhá-las aqui, auxiliando também outros que estão nessa busca.

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A mudança de hoje aconteceu quando vi um post no blog da Cristal (amo!), com dicas para lavar louça sem gerar lixo. Então eu mudei minha esponja de plástico por uma bucha vegetal, pois mesmo que eu ainda não tenha uma composteira doméstica, a bucha vegetal é biodegradável, mais barata (aqui tem a postagem que falo do preço e onde comprar) e rende muito. Ah, e também não tem embalagem. A outra dica foi substituir o detergente, cheio de substâncias que fazem mal à nossa pele, por sabão de coco. A Cristal chama atenção para a composição, que deve conter óleo de babaçu ou óleo de coco para ser natural.

Foi aí que quando coloquei o sabão em barra no potinho para começa a usar, lembrei de um post da Paulinha Stephânia que ensinava a reaproveitar os restos de sabonete e fazer um novinho (eu fiz duas vezes e amei!). Então piquei o sabão em barra, coloquei duas colheres de água e levei ao fogo em uma panela até derreter, depois joguei no potinho e coloquei no congelador por 10 min.

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Pronto, agora eu tenho um novo kit para lavar louça, muito mais bonito, melhor para o meio ambiente e consequentemente para mim, já que somos parte dele.
Vale lembrar que o sabão de coco junto com a bucha vegetal faz menos espuma do que o detergente com a de plástico, porém, a louça fica igualmente limpinha. Se você seguir essa dica, lembre-se sempre dos propósitos que fizeram você mudar. Um pouco menos de espuma não vai atrapalhar a nossa vida, pois será muito melhor sem ela do que com com ela. Pense nisso! 🙂
Espero que tenham gostado da dica. Agradecimentos especiais à Cristal Muniz e Paulinha Stephânia. ❤

Queremos saber

O que estamos vestindo?

Pergunte a sua avó como as roupas dela eram feitas e ela saberá te responder. Se pergunte como as suas roupas foram feitas e provavelmente não terá uma resposta. E isso é triste.

Os novos modos de produção afastaram quem produz de quem compra e ainda a indústria não nos incentiva a pensar no que se está por trás desse grande processo. Nosso consumo atual se dá ignorando a etapa que conta a primeira e principal história do nosso produto: o modo como ele foi feito.

Será que temos noção de todas as coisas envolvidas e prejudicadas para se fazer uma peça de roupa? Será que essas atividades estão alinhadas aos nossos valores? Será que desejamos vestir peças com memórias tristes?

Apesar de não nos impactar diretamente, a indústria da moda é a segunda maior poluidora do mundo. Ela é responsável pela geração de resíduos poluentes nos solos, nas águas, no ar, contaminando diversas espécies de animais e populações, levando muitas à extinção, sendo também causadora pela emissão de 10% do gás carbônico da atmosfera e a 2º maior consumidora de água.

Se espantou?

A marca Levi´s Strauss & Co divulgou que parar fazer um modelo de suas calças jeans, era necessário utilizar 920 galões de água, 400.000 kW de energia, 32 kg de dióxido de carbono expelidos, o equivalente a manter uma mangueira ligada por 106 minutos, dirigir por 125.502 km e manter ligado um computador por 556 horas.

O documentário The True Cost (trailler no fim do post – todos deveriam assistir) mostra a realidade das fábricas têxteis em países em desenvolvimento, onde é feita a maioria das roupas que vestimos. O filme chama atenção para o triste episódio ocorrido em 2013, no Edifício Rana Plaza, em Bangladesh, responsável pela morte de mais de 1100 trabalhadores, submetidos à condições precárias e salários extremamente baixos.

Outro ponto forte do documentário está em falar sobre o uso de pesticidas e agrotóxicos nas plantações de algodão, causadores pelo adoecimento e morte (maioria suicídio) de diversos agricultores e trabalhadores, além da contaminação da população ribeirinha.

Infelizmente essas informações não chegam até nós, consumidores, responsáveis por alimentar essa rede. Como já falei aqui no primeiro post, eu mesma só descobri quando comecei a estudar moda, e mesmo assim, por conta própria. E foi por isso que eu criei este lugar.

Agora que  já recebemos essa informação, que tal começarmos a tirar a venda dos nossos olhos, buscando saber mais a respeito? É claro que todo processo de mudança requer esforço, mas o que você prefere: A comodidade de comprar uma roupa barata e encontrada em qualquer shopping, mas que pode ter sido feita por crianças, pessoas sofridas? Ou investigar e pesquisar alternativas responsáveis, que se alinhem às nossas condições e valores?

Pense sobre isso.

Eu já deixo aqui as minhas sugestões para que você se inicie como um consumidor investigativo e consciente.
Documentário The True Cost – Disponível no netflix. Vale a pena assistir o trailler.
Livro Moda e Sustentabilidade: design para mudança – Lynda Grose e Kate Fletcher. Meu exemplar abaixo. =)
Moda e Sustentabilidade: design para mudança
Deixe suas dúvidas, contribua com sugestões e juntos vamos construindo um espaço de troca, conhecimento e esperança!
Até o próximo post! 🙂

 

Nosso olhar

RouParaVestir – A nossa Moda Ética

Durante a faculdade a querida professora Cláudia Cardoso, ao ministrar a disciplina Ética, Cultura e Cidadania, nos propôs um exercício que abordasse a nossa visão de moda ética, com construção livre. A partir dessas instruções, nosso grupo decidiu criar um editorial que trouxesse a visão da ética em diversos aspectos da moda e que gerasse reflexões no expectador.

Nossa primeira ideia foi ter como modelos pessoas “reais” e diversas, seja na cor, no biotipo, no sexo, no estilo, profissão, na identidade de gênero, orientação sexual etc. A ideia era chamar atenção para a diversidade e pelo fato das marcas, em geral, utilizarem como modelos pessoas com padrões de beleza diferentes da maioria dos consumidores, além do “tratamento” exagerado nas fotografias, transformando o rosto e o corpo dos próprios modelos, fazendo com que, no fim, a gente deseje um produto usado por alguém que não existe.

Corremos contra o tempo e fomos atrás de pessoas que topassem trabalhar no amor e que realmente se interessassem pela causa. Para isso, contamos com indicações de amigos e conseguimos formar um grupo lindo e diverso! =)

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Um outro ponto importante para nós era refletir sobre os processos de produção, já que a Indústria da moda é a 2º maior poluente do mundo e ainda responsável por fazer uso de mão de obra escrava e infantil. Nada ético, né? Para isso, optamos por roupas já usadas, dos próprios modelos e definimos que a ação do editorial seria a troca das peças entre eles, abordando não somente a questão do reuso, como também a reflexão sobre o gênero das roupas.

Para que essa ideia desse certo, definimos uma cartela de cor e solicitamos aos nossos modelos que levassem opções de peças dentro dessas tonalidades e que não fossem tão justas, visando facilitar as trocas.

A locação escolhida foi o Bosque da Barra, por ser um lugar com a natureza muito presente e preservada, já que o objetivo também é chamar atenção para as questões ambientais. O resultado final foi uma campanha em forma de banner, contendo 3 imagens e frases de impacto: a primeira mostra cada um com seu próprio look (Roupa não tem cor), a segunda simboliza o ato da troca (Roupa não tem forma) e a última as peças ressignificadas (Roupa não tem gênero). =)

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É importante dizer que quando decidimos abordar a roupa sem gênero, o intuito não foi representar a importância de uma moda neutra ou coisa parecida. Nossa maior vontade foi refletir sobre como estamos presos à padrões antigos, às formas, cores e modelagens. Roupas são feitas para vestir, para expressar e por isso elas não deveriam ser categorizadas, além de termos o direito de vestir aquilo que melhor nos representa.

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O momento da troca foi tão divertido e especial, pois a escolha do último look foi feita em conjunto, ali mesmo na hora, sem juízo de valor e sem a necessidade de se sentir 100% representado. Este momento foi embalado por sorrisos e frases do tipo: “Adorei essa em mim!”, “Usaria com certeza!”, “Vou passar a usar!” etc.  Experimentar peças de outros corpos e ver que elas podem vestir perfeitamente outras pessoas, desconstruindo conceitos tão vazios, foi realmente o grande exercício deste ensaio!

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Essa foi a equipe linda envolvida neste trabalho, da esquerda pra direita, de cima pra baixo: Maria Clara Kirazian (direção criativa e modelo), Anatália Cruz (direção criativa e modelo), Fernanda Maria (maquiadora profissional e modelo), Elisa Maciel (direção criativa), Mariana Reis (euzinha. direção criativa e modelo), Douglas Cardoso (designer e modelo), Christian Santana (tatuador e modelo), Leandro Arruda (encarregado de logística e modelo) e Jiglay (Nossa querida fotógrafa e também parte da direção criativa).

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No final ainda achamos uma placa que muito representou a nossa ideia, nos dando a certeza de que havíamos realmente escolhido o lugar perfeito! E claro, fizemos um último click divertido!

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Viva o amor, o respeito e a diversidade!
Até o próximo post! =)

Queremos saber · Sem categoria

Mudar para mudar

Muitas pessoas não mudam seus hábitos de consumo, primeiro, por acharem que será trabalhoso e caro, segundo, por pensarem que isso não fará a diferença no todo. Desde o ano passado, quando comecei a pesquisar sobre consumo para a minha pesquisa de conclusão de curso, percebi como nossas escolhas têm o poder de influenciar no que se está sendo produzido.

Esses dias vi um pão da marca Pullman, chamado Artesano e que tinha como slogan a frase “Como feito em casa.”, daí pensei: “Opa, tá aí a prova! Tá acontecendo!”. Porque vamos pensar: Será que a indústria deseja que a gente consuma produtos artesanais ou com características artesanais? Ou será que ela está percebendo que estamos deixando de comprar o pão industrializado para comprarmos da vizinha que fabrica em casa, ou ainda experimentar receitas caseiras e fazer os nossos próprios pães? Eu acredito que seja a segunda opção.

Se pensarmos que há mais gente consumindo do que produzindo, quanto mais pessoas optarem por consumir com responsabilidade, exigindo maior transparência por parte das empresas. além de fortalecer aquelas que já atuam dessa forma, para atender este novo consumidor, a indústria deverá se modificar.

Minhas primeiras reflexões sobre isso partiram da minha área de estudo, o vestuário, mas quando a gente começa a pesquisar, muitas outras coisas vão se desdobrando em nossa frente. E foi aí que, na semana passada, eu encontrei o blog da Cristal, chamado Um ano sem lixo. Ela me fez refletir sobre tantas coisas que eu não havia parado pra pensar, e desde então, estou tentando modificar alguns hábitos. É importante pensar que toda transição é lenta e que é realmente difícil, no país em que vivemos, consumir de forma 100% responsável. Morando em Campo Grande, bairro afastado do centro da cidade do Rio de Janeiro, não é diferente, porém existem sim alternativas que cabem no nosso bolso e que irão contribuir significativamente para essa mudança.

Por isso hoje eu resolvi compartilhar algumas que encontrei por aqui, pensando em ajudar tanto os moradores da região e também inspirar àqueles que estão em situação parecida. As compras foram feitas na La Budega Nordestina, próximo ao calçadão, e que além de vender produtos naturais, também vende à granel (que será minha próxima mudança).

19820924_331174183977659_1805628939_oUm coisa que eu não costumava fazer era levar minha própria sacola, pois pensava que precisaria do saco para jogar meu lixo fora. Na minha realidade isso ainda é necessário, porém, se eu reduzir o meu lixo, irei reduzir também a quantidade de sacolas plásticas. Desta vez resolvi levar a minha.

19807710_331174200644324_841230912_oAs compras foram: Uma bucha vegetal, um pacote de espaguete, óleo de coco, mel e sabonete de banho. Uma compra meio aleatória, mas vou explicar um poquinho sobre cada item.

Item 1: Bucha vegetal

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Eu já havia usado a bucha vegetal pra tomar banho, mas realmente mudei meu olhar sobre ela a partir de um post da Cristal, com dicas para lavar louça sem produzir lixo. Nem todos têm uma composteira doméstica, mas com certeza, ao optar por uma bucha vegetal à plástica, já estamos gerando menos impacto.

Item 2: Espaguete

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Esse espaguete me despertou a curiosidade pelos seus selos, por isso é necessário estarmos atentos ao verso da embalagem e que as empresas disponibilizem essas informações. Ele é vegano, ou seja, não contém nenhum ingrediente animal, é livre de transgênicos, baixo teor de sódio, sem colesterol e gordura trans. É importante ressaltar que o ideal é optarmos por produtos brasileiros, pois além de estarmos valorizando a economia local, o deslocamento gera menor impacto. Como ainda estou engatinhando neste processo, por questões de disponibilidade, acabei comprando este, que não é brasileiro mas atende algumas necessidades que considero importantes. Também não conheço sobre a marca e preciso investigar mais, mas achei importante compartilhar a experiência.

Item 3: Óleo de coco

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Eu comecei a usar óleo de coco pra cozinhar há um tempo, pelas indicações da Bela Gil, agora a Cristal também me ajudou a ampliar seu uso. Esse eu comprei pra fazer minha pasta de dente, receita que está disponível no Um ano sem lixo. Na loja haviam 3 marcas, uma com selo orgânico e duas sem. Escolher um alimento orgânico é se certificar de que nem você, nem a natureza e nem os trabalhadores envolvidos estiveram ou estarão expostos a agrotóxicos e outras substâncias e atividades nocivas. Eu acabei comprando uma sem o selo, por ser mais barata. Realmente mudar e comprar tudo orgânico de uma vez é caro, mas como as próximas compras serão de reposição, será mais fácil. Escolhi essa marca por ser recomendada pela PEA, por não fazer testes em animais, algo que significa muito pra mim.

Item 4: Mel

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O mel eu também já uso pra cozinhar há um tempo, desde que ganhei o livro de receitas da Bela Gil.  Esse é um produto orgânico brasileiro, certificado pela IBD, que é um empresa brasileira que atua na inspeção e certificação de diversos produtos.

Item 5: Sabonete de banho

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Esta escolha também devo à Cristal. Eu já estava optando por usar sabonetes “mais naturais”, feitos de glicerina etc, mas quando comecei a ler a composição desses produtos, vi que haviam muitos ingredientes, a maioria desconhecidos por mim e que pareciam nada naturais. Essa loja não tem muitos produtos de higiene pessoal e dentre as opções, escolhi este acima A composição dele diz que contém glicerina, óleo de amêndoas doce (o outro de andiroba), mel, corante e base de coco. Bom, comparado ao que eu usava, está muito melhor, além disso, a embalagem de papel também é um ponto positivo. Eles custaram 10 reais cada. Sim, bem mais caro que um sabonete convencional, porém, além de serem maiores, pelo que li, sabonetes naturais rendem mais, e vale atentar ao fato de não estarmos absorvendo tantas substâncias desconhecidas. Ainda vou testar e procurar saber mais sobre a empresa.

Reflexões e ações importantes desta experiência:

  1. Levar a própria sacola.
  2. Optar por embalagens que poderão ser reutilizadas (como potinhos de vidro) ou que sejam menos impactantes ao meio ambiente (sabonete embalado no papel ao invés do plástico).
  3. Produtos multifuncionais, neste exemplo: bucha pra banho e louça, óleo de coco pra cozinha e pasta de dente.
  4. Verificar os selos e escolher de acordo com nossas possibilidades, alinhando-as aos nossos valores.

É importante dizer que o intuito desta postagem não está na divulgação destas marcas, já que não as conheço e não tenho propriedade para dizer se atuam ou não com responsabilidade. A ideia aqui é trazer reflexões à respeito dos nossos hábitos de consumo, das formas de produção e uso dos produtos em geral, contribuindo com informações e experiências pessoais, a fim de nos tornarmos consumidores mais investigativos, percebendo a importância de nossas escolhas e como elas podem impactar positivamente ou negativamente em nossas vidas, na vida do outro e do planeta. Como desejo fazer parte deste grupo, entrarei em contato com essas marcas, até mesmo para decidir se irei continuar consumindo-as ou não. Compartilho depois essas informações por aqui.

Um abraço e até o próximo post! 🙂

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Meu consumo me reflete?

mari ilustração consumo (1)Para a nossa sociedade, a palavra consumo está carregada de valores negativos, que em sua maioria estão relacionados aos excessos e ao desnecessário, porém, é importante compreendermos que o consumo é parte das nossa vidas e que estamos consumindo 24 horas por dia. Ouvir uma música, assistir um programa de TV, beber um suco, pegar um ônibus, tudo isso envolve consumo! Neste exato momento, por exemplo, você está consumindo este blog. E é aí que queremos chegar! O consumo é sim importante, pois através dele construímos a nossa identidade, nos posicionando para a sociedade a partir das nossas escolhas.

Vamos pensar, por exemplo, em uma pessoa que gosta muito de esportes. A partir dos hábitos de consumo dela, seja ao frequentar a academia, comer alimentos saudáveis, comprar roupas para praticar exercícios, ir aos eventos esportivos e outras atividades, ela irá construir a sua identidade e também se posicionar enquanto cidadã, indicando seu gostos e valores nessas escolhas.

 Mas se consumir é algo necessário e importante, porque esta palavra se associou a questões negativas? Isso se deu por diversos fatores históricos, que desencadearam em um modelo de vida que relaciona bem-estar com aquisição de produtos e serviços. E claro, por ser um bem-estar ilusório, não atingimos a felicidade prometida, e insaciados, consumimos cada vez mais.

E assim o consumo desenfreado trouxe danos para nós e para o meio ambiente, tornando-se uma palavra negativa. Mas ao pensar no consumo como uma atividade importante e necessária, é a maneira como a estamos fazendo que irá impactar de forma boa ou ruim em nossa vida, na vida do outro e, consequentemente, no nosso planeta.

E aí, já parou para refletir se seus hábitos de consumo te reflem enquanto cidadão? Vamos pensar sobre isso?

Beijo grande e até o próximo post!

Agradecimento especial à ilustração exclusiva criada pela querida e sensível Malu Lima.
Livros que contribuíram para a escrita desse post:
Design para a inovação social e sustentabilidade – Ezio Manzini
Sustentabilidade, Consumo e Cidadania – Fátima Portilho
Sociedade de consumo – Lívia Barbosa

Queremos saber

Aqui chegamos

Marie e Elisa-49Você já se perguntou sobre os possíveis impactos causados pelo consumo de moda no nosso planeta? Alguma vez já se questionou se as roupas daquela marca que você adora possam ter sido feitas por crianças ou por trabalho escravo? E se descobrisse que ela é responsável pela poluição de rios, solos, águas e ainda intoxicar diversas espécies de animais? Ela ainda te representaria enquanto consumidor? Qual a verdadeira história do que estamos vestindo? Esta responsabilidade cabe a nós?

Eu me chamo Mariana, sou recém formada em design de moda e assim como muitos de vocês, eu nunca havia parado para pensar nestas questões. E foi durante o meu percurso na faculdade que eu me atentei a isso, após alguns estudos que me levaram a descobrir que a indústria da moda é a 2º maior poluente do mundo, perdendo apenas para a indústria do petróleo. Percebi também que ela é responsável por causar diversos impactos ambientais e sociais no nosso Planeta.

E eu me dei conta de quantas pessoas não tinham esta informação e por isso, assim como eu, jamais haviam refletido a respeito. A partir de então, eu decidi que o meu trabalho final de graduação teria como um dos objetivos contribuir para que estas informações, muitas vezes ocultadas de nós, consumidores, pudessem ser compartilhadas.

E assim surgiu o MECO, um espaço dedicado a trazer informações importantes a respeito destes questionamentos, de forma simples e acessível, para que nós, a partir do que acreditamos, possamos consumir com maior responsabilidade e consciência. Acredito que um consumidor consciente pode sim fazer a diferença! Ao apoiarmos marcas que, com todas as dificuldades, lutam para um processo de produção justo, assim como questionar aquelas que ocultam seus processos, a indústria, que produz para nós e estuda o nosso comportamento, deverá pouco a pouco se modificar.

Eu espero que este espaço seja uma semente plantada em cada leitor, e que a gente perceba a nossa força enquanto consumidor, colaborando ativamente na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e saudável.