Queremos saber

O que estamos vestindo?

Pergunte a sua avó como as roupas dela eram feitas e ela saberá te responder. Se pergunte como as suas roupas foram feitas e provavelmente não terá uma resposta. E isso é triste.

Os novos modos de produção afastaram quem produz de quem compra e ainda a indústria não nos incentiva a pensar no que se está por trás desse grande processo. Nosso consumo atual se dá ignorando a etapa que conta a primeira e principal história do nosso produto: o modo como ele foi feito.

Será que temos noção de todas as coisas envolvidas e prejudicadas para se fazer uma peça de roupa? Será que essas atividades estão alinhadas aos nossos valores? Será que desejamos vestir peças com memórias tristes?

Apesar de não nos impactar diretamente, a indústria da moda é a segunda maior poluidora do mundo. Ela é responsável pela geração de resíduos poluentes nos solos, nas águas, no ar, contaminando diversas espécies de animais e populações, levando muitas à extinção, sendo também causadora pela emissão de 10% do gás carbônico da atmosfera e a 2º maior consumidora de água.

Se espantou?

A marca Levi´s Strauss & Co divulgou que parar fazer um modelo de suas calças jeans, era necessário utilizar 920 galões de água, 400.000 kW de energia, 32 kg de dióxido de carbono expelidos, o equivalente a manter uma mangueira ligada por 106 minutos, dirigir por 125.502 km e manter ligado um computador por 556 horas.

O documentário The True Cost (trailler no fim do post – todos deveriam assistir) mostra a realidade das fábricas têxteis em países em desenvolvimento, onde é feita a maioria das roupas que vestimos. O filme chama atenção para o triste episódio ocorrido em 2013, no Edifício Rana Plaza, em Bangladesh, responsável pela morte de mais de 1100 trabalhadores, submetidos à condições precárias e salários extremamente baixos.

Outro ponto forte do documentário está em falar sobre o uso de pesticidas e agrotóxicos nas plantações de algodão, causadores pelo adoecimento e morte (maioria suicídio) de diversos agricultores e trabalhadores, além da contaminação da população ribeirinha.

Infelizmente essas informações não chegam até nós, consumidores, responsáveis por alimentar essa rede. Como já falei aqui no primeiro post, eu mesma só descobri quando comecei a estudar moda, e mesmo assim, por conta própria. E foi por isso que eu criei este lugar.

Agora que  já recebemos essa informação, que tal começarmos a tirar a venda dos nossos olhos, buscando saber mais a respeito? É claro que todo processo de mudança requer esforço, mas o que você prefere: A comodidade de comprar uma roupa barata e encontrada em qualquer shopping, mas que pode ter sido feita por crianças, pessoas sofridas? Ou investigar e pesquisar alternativas responsáveis, que se alinhem às nossas condições e valores?

Pense sobre isso.

Eu já deixo aqui as minhas sugestões para que você se inicie como um consumidor investigativo e consciente.
Documentário The True Cost – Disponível no netflix. Vale a pena assistir o trailler.
Livro Moda e Sustentabilidade: design para mudança – Lynda Grose e Kate Fletcher. Meu exemplar abaixo. =)
Moda e Sustentabilidade: design para mudança
Deixe suas dúvidas, contribua com sugestões e juntos vamos construindo um espaço de troca, conhecimento e esperança!
Até o próximo post! 🙂

 

Queremos saber · Sem categoria

Mudar para mudar

Muitas pessoas não mudam seus hábitos de consumo, primeiro, por acharem que será trabalhoso e caro, segundo, por pensarem que isso não fará a diferença no todo. Desde o ano passado, quando comecei a pesquisar sobre consumo para a minha pesquisa de conclusão de curso, percebi como nossas escolhas têm o poder de influenciar no que se está sendo produzido.

Esses dias vi um pão da marca Pullman, chamado Artesano e que tinha como slogan a frase “Como feito em casa.”, daí pensei: “Opa, tá aí a prova! Tá acontecendo!”. Porque vamos pensar: Será que a indústria deseja que a gente consuma produtos artesanais ou com características artesanais? Ou será que ela está percebendo que estamos deixando de comprar o pão industrializado para comprarmos da vizinha que fabrica em casa, ou ainda experimentar receitas caseiras e fazer os nossos próprios pães? Eu acredito que seja a segunda opção.

Se pensarmos que há mais gente consumindo do que produzindo, quanto mais pessoas optarem por consumir com responsabilidade, exigindo maior transparência por parte das empresas. além de fortalecer aquelas que já atuam dessa forma, para atender este novo consumidor, a indústria deverá se modificar.

Minhas primeiras reflexões sobre isso partiram da minha área de estudo, o vestuário, mas quando a gente começa a pesquisar, muitas outras coisas vão se desdobrando em nossa frente. E foi aí que, na semana passada, eu encontrei o blog da Cristal, chamado Um ano sem lixo. Ela me fez refletir sobre tantas coisas que eu não havia parado pra pensar, e desde então, estou tentando modificar alguns hábitos. É importante pensar que toda transição é lenta e que é realmente difícil, no país em que vivemos, consumir de forma 100% responsável. Morando em Campo Grande, bairro afastado do centro da cidade do Rio de Janeiro, não é diferente, porém existem sim alternativas que cabem no nosso bolso e que irão contribuir significativamente para essa mudança.

Por isso hoje eu resolvi compartilhar algumas que encontrei por aqui, pensando em ajudar tanto os moradores da região e também inspirar àqueles que estão em situação parecida. As compras foram feitas na La Budega Nordestina, próximo ao calçadão, e que além de vender produtos naturais, também vende à granel (que será minha próxima mudança).

19820924_331174183977659_1805628939_oUm coisa que eu não costumava fazer era levar minha própria sacola, pois pensava que precisaria do saco para jogar meu lixo fora. Na minha realidade isso ainda é necessário, porém, se eu reduzir o meu lixo, irei reduzir também a quantidade de sacolas plásticas. Desta vez resolvi levar a minha.

19807710_331174200644324_841230912_oAs compras foram: Uma bucha vegetal, um pacote de espaguete, óleo de coco, mel e sabonete de banho. Uma compra meio aleatória, mas vou explicar um poquinho sobre cada item.

Item 1: Bucha vegetal

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Eu já havia usado a bucha vegetal pra tomar banho, mas realmente mudei meu olhar sobre ela a partir de um post da Cristal, com dicas para lavar louça sem produzir lixo. Nem todos têm uma composteira doméstica, mas com certeza, ao optar por uma bucha vegetal à plástica, já estamos gerando menos impacto.

Item 2: Espaguete

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Esse espaguete me despertou a curiosidade pelos seus selos, por isso é necessário estarmos atentos ao verso da embalagem e que as empresas disponibilizem essas informações. Ele é vegano, ou seja, não contém nenhum ingrediente animal, é livre de transgênicos, baixo teor de sódio, sem colesterol e gordura trans. É importante ressaltar que o ideal é optarmos por produtos brasileiros, pois além de estarmos valorizando a economia local, o deslocamento gera menor impacto. Como ainda estou engatinhando neste processo, por questões de disponibilidade, acabei comprando este, que não é brasileiro mas atende algumas necessidades que considero importantes. Também não conheço sobre a marca e preciso investigar mais, mas achei importante compartilhar a experiência.

Item 3: Óleo de coco

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Eu comecei a usar óleo de coco pra cozinhar há um tempo, pelas indicações da Bela Gil, agora a Cristal também me ajudou a ampliar seu uso. Esse eu comprei pra fazer minha pasta de dente, receita que está disponível no Um ano sem lixo. Na loja haviam 3 marcas, uma com selo orgânico e duas sem. Escolher um alimento orgânico é se certificar de que nem você, nem a natureza e nem os trabalhadores envolvidos estiveram ou estarão expostos a agrotóxicos e outras substâncias e atividades nocivas. Eu acabei comprando uma sem o selo, por ser mais barata. Realmente mudar e comprar tudo orgânico de uma vez é caro, mas como as próximas compras serão de reposição, será mais fácil. Escolhi essa marca por ser recomendada pela PEA, por não fazer testes em animais, algo que significa muito pra mim.

Item 4: Mel

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O mel eu também já uso pra cozinhar há um tempo, desde que ganhei o livro de receitas da Bela Gil.  Esse é um produto orgânico brasileiro, certificado pela IBD, que é um empresa brasileira que atua na inspeção e certificação de diversos produtos.

Item 5: Sabonete de banho

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Esta escolha também devo à Cristal. Eu já estava optando por usar sabonetes “mais naturais”, feitos de glicerina etc, mas quando comecei a ler a composição desses produtos, vi que haviam muitos ingredientes, a maioria desconhecidos por mim e que pareciam nada naturais. Essa loja não tem muitos produtos de higiene pessoal e dentre as opções, escolhi este acima A composição dele diz que contém glicerina, óleo de amêndoas doce (o outro de andiroba), mel, corante e base de coco. Bom, comparado ao que eu usava, está muito melhor, além disso, a embalagem de papel também é um ponto positivo. Eles custaram 10 reais cada. Sim, bem mais caro que um sabonete convencional, porém, além de serem maiores, pelo que li, sabonetes naturais rendem mais, e vale atentar ao fato de não estarmos absorvendo tantas substâncias desconhecidas. Ainda vou testar e procurar saber mais sobre a empresa.

Reflexões e ações importantes desta experiência:

  1. Levar a própria sacola.
  2. Optar por embalagens que poderão ser reutilizadas (como potinhos de vidro) ou que sejam menos impactantes ao meio ambiente (sabonete embalado no papel ao invés do plástico).
  3. Produtos multifuncionais, neste exemplo: bucha pra banho e louça, óleo de coco pra cozinha e pasta de dente.
  4. Verificar os selos e escolher de acordo com nossas possibilidades, alinhando-as aos nossos valores.

É importante dizer que o intuito desta postagem não está na divulgação destas marcas, já que não as conheço e não tenho propriedade para dizer se atuam ou não com responsabilidade. A ideia aqui é trazer reflexões à respeito dos nossos hábitos de consumo, das formas de produção e uso dos produtos em geral, contribuindo com informações e experiências pessoais, a fim de nos tornarmos consumidores mais investigativos, percebendo a importância de nossas escolhas e como elas podem impactar positivamente ou negativamente em nossas vidas, na vida do outro e do planeta. Como desejo fazer parte deste grupo, entrarei em contato com essas marcas, até mesmo para decidir se irei continuar consumindo-as ou não. Compartilho depois essas informações por aqui.

Um abraço e até o próximo post! 🙂

Queremos saber

Aqui chegamos

Marie e Elisa-49Você já se perguntou sobre os possíveis impactos causados pelo consumo de moda no nosso planeta? Alguma vez já se questionou se as roupas daquela marca que você adora possam ter sido feitas por crianças ou por trabalho escravo? E se descobrisse que ela é responsável pela poluição de rios, solos, águas e ainda intoxicar diversas espécies de animais? Ela ainda te representaria enquanto consumidor? Qual a verdadeira história do que estamos vestindo? Esta responsabilidade cabe a nós?

Eu me chamo Mariana, sou recém formada em design de moda e assim como muitos de vocês, eu nunca havia parado para pensar nestas questões. E foi durante o meu percurso na faculdade que eu me atentei a isso, após alguns estudos que me levaram a descobrir que a indústria da moda é a 2º maior poluente do mundo, perdendo apenas para a indústria do petróleo. Percebi também que ela é responsável por causar diversos impactos ambientais e sociais no nosso Planeta.

E eu me dei conta de quantas pessoas não tinham esta informação e por isso, assim como eu, jamais haviam refletido a respeito. A partir de então, eu decidi que o meu trabalho final de graduação teria como um dos objetivos contribuir para que estas informações, muitas vezes ocultadas de nós, consumidores, pudessem ser compartilhadas.

E assim surgiu o MECO, um espaço dedicado a trazer informações importantes a respeito destes questionamentos, de forma simples e acessível, para que nós, a partir do que acreditamos, possamos consumir com maior responsabilidade e consciência. Acredito que um consumidor consciente pode sim fazer a diferença! Ao apoiarmos marcas que, com todas as dificuldades, lutam para um processo de produção justo, assim como questionar aquelas que ocultam seus processos, a indústria, que produz para nós e estuda o nosso comportamento, deverá pouco a pouco se modificar.

Eu espero que este espaço seja uma semente plantada em cada leitor, e que a gente perceba a nossa força enquanto consumidor, colaborando ativamente na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e saudável.