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Pequenas grandes mudanças – Vinagre de maçã caseiro

O mundo acelerado e a busca pela praticidade nos levaram a crer que os industrializados são verdadeiros salvadores das nossas vidas. O que não sabemos é que, infelizmente, grande parte das indústrias não pensam na saúde dos seus consumidores e muito menos no meio ambiente, colocando os lucros na frente e ignorando os impactos gerados pelos processos de produção, uso e descarte.

A atitude que começou nas roupas, lendo etiquetas para saber onde foram produzidas, me fez refletir sobre outras coisas que eu estava consumindo. Então criei o hábito de ler rótulos dos produtos que iria comprar ou que já havia comprado e percebi que eu desconhecia a maioria dos ingredientes ali contidos. É triste saber, mas muitas dessas substâncias estão sendo estudadas e associadas à graves doenças, como o parabeno e o câncer, por exemplo, abordado aqui no blog na postagem que fiz sobre cosméticos. Desde então, apesar de ainda estar no início de uma longa caminhada, tenho buscado consumir produtos mais naturais, e quando possível, fazê-los em casa.

Com o objetivo de disseminar essa alternativa, decidi compartilhar uma receita de vinagre de maçã que vi no blog Um ano sem lixo (Amo!). Além do custo ser praticamente zero, são necessários apenas 3 ingredientes: restos de maçãs, água filtrada e açúcar, e é bem fácil de fazer, já que mesmo sem ter seguido as medidas corretinhas, deu super certo!

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Vamos lá! Primeiro eu enchi com água filtrada (precisa ser filtrada!) um pote de mais ou menos 1 litro e meio, coloquei cascas e miolos de 3 maçãs que eu havia usado, adicionei uma colher de açúcar demerara (você pode usar o que tiver em casa) e dei uma boa mexida. Como o pote precisa ficar aberto, coloquei um paninho com elástico pra proteger de qualquer bichinho, segundo orientação da receita original.

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Foto tirada 1 semana depois – A água vai ficando turva mesmo.

Depois de preparado é só deixar na pia ou algum outro local e mexer o conteúdo pelo menos 1 vez no dia (eu mexia duas vezes – manhã e tarde). Esse processo é essencial para dar certo, pois você vai oxigenar a mistura e evitar possíveis fungos, caso ela fique parada. Ah, eu cheguei a adicionar mais umas 3 maçãs ao longo dos 3 primeiros dias!

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Depois de mexer por mais ou menos uns 15-20 dias, você já vai perceber o cheirinho de vinagre. Aí é só coar com um paninho, espremer bem e colocar em um recipiente que preferir. Esse eu comprei no SEPA por R$6,50 e o que sobrou eu deixei no pote anterior, que está sendo usado como produto de limpeza. =)

Simples, né? A receita original diz que são 2 litros de água filtrada + 6 cascas de maçãs (ou outras frutas) + 1 colher de sopa de açúcar.

Adoraria receber comentários de quem testar essa receita!
Grande beijo e até o próximo post. =)

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Mudar para mudar

Muitas pessoas não mudam seus hábitos de consumo, primeiro, por acharem que será trabalhoso e caro, segundo, por pensarem que isso não fará a diferença no todo. Desde o ano passado, quando comecei a pesquisar sobre consumo para a minha pesquisa de conclusão de curso, percebi como nossas escolhas têm o poder de influenciar no que se está sendo produzido.

Esses dias vi um pão da marca Pullman, chamado Artesano e que tinha como slogan a frase “Como feito em casa.”, daí pensei: “Opa, tá aí a prova! Tá acontecendo!”. Porque vamos pensar: Será que a indústria deseja que a gente consuma produtos artesanais ou com características artesanais? Ou será que ela está percebendo que estamos deixando de comprar o pão industrializado para comprarmos da vizinha que fabrica em casa, ou ainda experimentar receitas caseiras e fazer os nossos próprios pães? Eu acredito que seja a segunda opção.

Se pensarmos que há mais gente consumindo do que produzindo, quanto mais pessoas optarem por consumir com responsabilidade, exigindo maior transparência por parte das empresas. além de fortalecer aquelas que já atuam dessa forma, para atender este novo consumidor, a indústria deverá se modificar.

Minhas primeiras reflexões sobre isso partiram da minha área de estudo, o vestuário, mas quando a gente começa a pesquisar, muitas outras coisas vão se desdobrando em nossa frente. E foi aí que, na semana passada, eu encontrei o blog da Cristal, chamado Um ano sem lixo. Ela me fez refletir sobre tantas coisas que eu não havia parado pra pensar, e desde então, estou tentando modificar alguns hábitos. É importante pensar que toda transição é lenta e que é realmente difícil, no país em que vivemos, consumir de forma 100% responsável. Morando em Campo Grande, bairro afastado do centro da cidade do Rio de Janeiro, não é diferente, porém existem sim alternativas que cabem no nosso bolso e que irão contribuir significativamente para essa mudança.

Por isso hoje eu resolvi compartilhar algumas que encontrei por aqui, pensando em ajudar tanto os moradores da região e também inspirar àqueles que estão em situação parecida. As compras foram feitas na La Budega Nordestina, próximo ao calçadão, e que além de vender produtos naturais, também vende à granel (que será minha próxima mudança).

19820924_331174183977659_1805628939_oUm coisa que eu não costumava fazer era levar minha própria sacola, pois pensava que precisaria do saco para jogar meu lixo fora. Na minha realidade isso ainda é necessário, porém, se eu reduzir o meu lixo, irei reduzir também a quantidade de sacolas plásticas. Desta vez resolvi levar a minha.

19807710_331174200644324_841230912_oAs compras foram: Uma bucha vegetal, um pacote de espaguete, óleo de coco, mel e sabonete de banho. Uma compra meio aleatória, mas vou explicar um poquinho sobre cada item.

Item 1: Bucha vegetal

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Eu já havia usado a bucha vegetal pra tomar banho, mas realmente mudei meu olhar sobre ela a partir de um post da Cristal, com dicas para lavar louça sem produzir lixo. Nem todos têm uma composteira doméstica, mas com certeza, ao optar por uma bucha vegetal à plástica, já estamos gerando menos impacto.

Item 2: Espaguete

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Esse espaguete me despertou a curiosidade pelos seus selos, por isso é necessário estarmos atentos ao verso da embalagem e que as empresas disponibilizem essas informações. Ele é vegano, ou seja, não contém nenhum ingrediente animal, é livre de transgênicos, baixo teor de sódio, sem colesterol e gordura trans. É importante ressaltar que o ideal é optarmos por produtos brasileiros, pois além de estarmos valorizando a economia local, o deslocamento gera menor impacto. Como ainda estou engatinhando neste processo, por questões de disponibilidade, acabei comprando este, que não é brasileiro mas atende algumas necessidades que considero importantes. Também não conheço sobre a marca e preciso investigar mais, mas achei importante compartilhar a experiência.

Item 3: Óleo de coco

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Eu comecei a usar óleo de coco pra cozinhar há um tempo, pelas indicações da Bela Gil, agora a Cristal também me ajudou a ampliar seu uso. Esse eu comprei pra fazer minha pasta de dente, receita que está disponível no Um ano sem lixo. Na loja haviam 3 marcas, uma com selo orgânico e duas sem. Escolher um alimento orgânico é se certificar de que nem você, nem a natureza e nem os trabalhadores envolvidos estiveram ou estarão expostos a agrotóxicos e outras substâncias e atividades nocivas. Eu acabei comprando uma sem o selo, por ser mais barata. Realmente mudar e comprar tudo orgânico de uma vez é caro, mas como as próximas compras serão de reposição, será mais fácil. Escolhi essa marca por ser recomendada pela PEA, por não fazer testes em animais, algo que significa muito pra mim.

Item 4: Mel

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O mel eu também já uso pra cozinhar há um tempo, desde que ganhei o livro de receitas da Bela Gil.  Esse é um produto orgânico brasileiro, certificado pela IBD, que é um empresa brasileira que atua na inspeção e certificação de diversos produtos.

Item 5: Sabonete de banho

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Esta escolha também devo à Cristal. Eu já estava optando por usar sabonetes “mais naturais”, feitos de glicerina etc, mas quando comecei a ler a composição desses produtos, vi que haviam muitos ingredientes, a maioria desconhecidos por mim e que pareciam nada naturais. Essa loja não tem muitos produtos de higiene pessoal e dentre as opções, escolhi este acima A composição dele diz que contém glicerina, óleo de amêndoas doce (o outro de andiroba), mel, corante e base de coco. Bom, comparado ao que eu usava, está muito melhor, além disso, a embalagem de papel também é um ponto positivo. Eles custaram 10 reais cada. Sim, bem mais caro que um sabonete convencional, porém, além de serem maiores, pelo que li, sabonetes naturais rendem mais, e vale atentar ao fato de não estarmos absorvendo tantas substâncias desconhecidas. Ainda vou testar e procurar saber mais sobre a empresa.

Reflexões e ações importantes desta experiência:

  1. Levar a própria sacola.
  2. Optar por embalagens que poderão ser reutilizadas (como potinhos de vidro) ou que sejam menos impactantes ao meio ambiente (sabonete embalado no papel ao invés do plástico).
  3. Produtos multifuncionais, neste exemplo: bucha pra banho e louça, óleo de coco pra cozinha e pasta de dente.
  4. Verificar os selos e escolher de acordo com nossas possibilidades, alinhando-as aos nossos valores.

É importante dizer que o intuito desta postagem não está na divulgação destas marcas, já que não as conheço e não tenho propriedade para dizer se atuam ou não com responsabilidade. A ideia aqui é trazer reflexões à respeito dos nossos hábitos de consumo, das formas de produção e uso dos produtos em geral, contribuindo com informações e experiências pessoais, a fim de nos tornarmos consumidores mais investigativos, percebendo a importância de nossas escolhas e como elas podem impactar positivamente ou negativamente em nossas vidas, na vida do outro e do planeta. Como desejo fazer parte deste grupo, entrarei em contato com essas marcas, até mesmo para decidir se irei continuar consumindo-as ou não. Compartilho depois essas informações por aqui.

Um abraço e até o próximo post! 🙂

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Meu consumo me reflete?

mari ilustração consumo (1)Para a nossa sociedade, a palavra consumo está carregada de valores negativos, que em sua maioria estão relacionados aos excessos e ao desnecessário, porém, é importante compreendermos que o consumo é parte das nossa vidas e que estamos consumindo 24 horas por dia. Ouvir uma música, assistir um programa de TV, beber um suco, pegar um ônibus, tudo isso envolve consumo! Neste exato momento, por exemplo, você está consumindo este blog. E é aí que queremos chegar! O consumo é sim importante, pois através dele construímos a nossa identidade, nos posicionando para a sociedade a partir das nossas escolhas.

Vamos pensar, por exemplo, em uma pessoa que gosta muito de esportes. A partir dos hábitos de consumo dela, seja ao frequentar a academia, comer alimentos saudáveis, comprar roupas para praticar exercícios, ir aos eventos esportivos e outras atividades, ela irá construir a sua identidade e também se posicionar enquanto cidadã, indicando seu gostos e valores nessas escolhas.

 Mas se consumir é algo necessário e importante, porque esta palavra se associou a questões negativas? Isso se deu por diversos fatores históricos, que desencadearam em um modelo de vida que relaciona bem-estar com aquisição de produtos e serviços. E claro, por ser um bem-estar ilusório, não atingimos a felicidade prometida, e insaciados, consumimos cada vez mais.

E assim o consumo desenfreado trouxe danos para nós e para o meio ambiente, tornando-se uma palavra negativa. Mas ao pensar no consumo como uma atividade importante e necessária, é a maneira como a estamos fazendo que irá impactar de forma boa ou ruim em nossa vida, na vida do outro e, consequentemente, no nosso planeta.

E aí, já parou para refletir se seus hábitos de consumo te reflem enquanto cidadão? Vamos pensar sobre isso?

Beijo grande e até o próximo post!

Agradecimento especial à ilustração exclusiva criada pela querida e sensível Malu Lima.
Livros que contribuíram para a escrita desse post:
Design para a inovação social e sustentabilidade – Ezio Manzini
Sustentabilidade, Consumo e Cidadania – Fátima Portilho
Sociedade de consumo – Lívia Barbosa